Acordei aquela manhã e vi Viktor ao meu lado. Ele me envolveu em um abraço carinhoso, me aconcheguei em seus braços com se nunca quisesse me separar dele. E eu realmente não queria. A manhã estava fria, o hedredom lilás nos envolvia, mas mesmo assim eu só ficava bem quando estava em seus braços. Senti seus lábios frios em minha orelha. E pensei: Como eu o amo.
Olhei o relógio 08:00 era o o visor mostrava em vermelho. Resolvi ficar ali mais um pouco. Suas mãos deslizavam por minhas costas e eu ficava cada vez melhor. sentia seus braços em torno de mim e isso me provoca as mais variadas sensações. Cinco anos juntos provocavam uma onda de sentimentos e cumpricidade inexplicáveis. Apesar de sermos apenas noivos pareciamos casados. Viktor sabia bem cada coisa de mim. Era capaz de decifrar meus pensamentos e tudo que eu sentia em pouco tempo. Bastava olhar para mim para saber que eu estava bem ou que eu não estava legal. Um segundo bastava para que ele visse através de meus olhos e de meu coração. Como eu o queria, e como eu o amava.
Nossa casa já estava praticamente pronta. Ele a planejou com cuidado para que ficasse absolutamente perfeita. A biblioteca, o escritório dele... o closet no quarto. O jardim no quintal. O nosso telescópio, para que pudessemos ver os astros, planetas e nebulosas. Escolheu um bom lugar na cidade, que fosse fácil ver todas as constelações e um terreno grande para que pudessemos ter um bom cão.
__ Você não vai levantar?- ouvi sua voz baixa em meu ouvido.
__ Não, quero ficar aqui com você.
Ele riu.
__ Esta tudo bem para mim, não tenho nada para fazer mesmo hoje. Posso ficar aqui com você o tempo que você quiser.
__ Perfeito.
Seus lábios foram aos meus. Macios e gentis. Se moveram lentamente e em sincronia com os meus. Seus braços me envolveram com mais força. Suas mãos em meu cabelo castanho. Enquanto eu memorizava as linhas de seu rosto.
Era tudo que eu queria. Ficar ali para sempre com ele. Nos beijamos por um longo tempo. Seus lábios foram ao meu pescoço e o percorreram. Ele sorriu em minha pele e eu apenas suspirei. Nosso tempo de relacionamento não diminuia em nada a sensibilidade que eu sentia quando ele me tocava. Eu era completamente ligada a ele. E ele a mim. Apenas nos beijamos, ficamos apenas ali, em nosso mundo perfeito e de sonhos. Sentindo eu os braços dele e ele os meus.
__ Não vejo a hora do nosso casamento.- ele disse.
__ Vai ser em 10 meses.
__ Eu sei mas ainda é muito tempo.
Sorri.
__ Você sabe que eu quero terminar a faculdade primeiro.
__ Eu sei amor, e não questiono isso, mas você tem que entender que eu fico louco para ver você assim comigo todos os dias. Ver você dormir, acordar e sorrir. Ver você em cada momento da minha vida. Em cada espaço do dia.
__ Eu sei, mas não se esqueça que você tem seu trabalho e eu também.
__ Claro. Mas não posso esperar para saber que ao chegar do trabalho, você vai estar me esperando. E muito menos o momento de termos um filho.
__ Ou filha.
__ Não importa. Eu vou amar do mesmo jeito. Vai ser nosso bebê.
__ Se for menino vai se chamar: Enzo.
__ E menina?
__ Viktória.
__ Porque?
__ Parecido com o nome do pai.
ele sorriu em meu ouvido.
__ Você é a mulher da minha vida.
__ Você não é o homem da minha vida.
Viktor me encarou. Seus olhos castanhos passando os meus.
__ não?
__ Não.
__ Tem certeza?
__ Tenho.
Ele ficou em silêncio.
__ Sabe porque você não é o homem da minha vida?
__ Me diz o motivo e eu dou um jeito.
__ Porque você é minha vida.
Ele sorriu de novo e me envolveu com os lábios macios e quentes outra vez.
__ Quero ouvir você tocar.- ele sussurrou.
__ O que você quer ouvir?
__ A nossa música.
__ Mais tarde eu toco para você.
__ Esta bem. Eu também estou ansioso para isso. Poder te ouvir tocar a qualquer hora,sem ter que esperar você ir para casa para tocar.
__ È amor, mas eu só tenho um piano lá.
__ Eu sei. Estou pensando em comprar um para deixar aqui. Quando nos casarmos poderemos levá-lo para casa e aquele fica na casa de seus pais.
__ Você não acha exagero?
__ Não vejo exagero nenhum nisso. É apenas um jeito de eu poder ouvir minha musicista favorita tocando para mim. Aliás, minha favorita não. A melhor que eu conheço. Eu amo ouvir você tocar. È lindo.
__ Obrigada, mas a melhor é um pouco exagero.
__ Não, não é. Você sabe que eu ouço as suas musicas enquanto viajo não sabe?
__ Sei. Não sei como você consegue. Ouve a mesma musica mais de 8 vezes.
__ È porque é a minha musica favorita.
__ Você diz isso por que me ama.
__ Não. Meu pai adora as suas musicas também. Está certo que ele tambem te ama. Mas quem não amaria. Você é simplesmente adorável.
__ Obrigada de novo.
Voltamos a ficar em silêncio. Sentia apenas sua respiração contra meu rosto.
Depois de um tempo percebi o silêncio durando demais, senti que seus braços não estavam mais ao meu redor. Abri os olhos. Ele não estava mais ali. Me levantei e procurei pelo apartamento todo. Viktor não estava em lugar nehum. Fui até a porta e estava fechada por dentro.
Uma dor sufocante cresceu dentro de mim. Quis gritar e fazer qualquer coisa mas nada saía. Parecia que ele estava longe. Mas como? Como eu não o havia visto sair? E como ele havia ido sem dizer pelo menos tchau? Sem me dar um beijo que fosse? Me sentei na cama encolhida.
Num giro rápido me vi no espelho, já haviam lagrimas em meu rosto. Estava na casa de meus pais. Era apenas mais um sonho. Com excessao da dor sufocante. Era real de mais. Um ferida que parecia que nunca iria passar. Uma ferida que latejava a cada sonho, a cada vez que alguma lembrança vinha em minha mente. A cada vez que eu pensava em seu sorriso. Se o meu senso espaço-temporal não tiver sido fatalmente afetado, hoje é 22 de maio. Tem mais de um ano e meio que isso aconteceu e a dor é tão grande que posso acreditar que foi ontem.
Dessa vez acordada me encolhi na cama. Não queria sonhar. Gostaria que houvesse um jeito de impedir que os sonhos entrassem em minha mente. Pelo menos assim eu iria esquecer um pouco de como as coisas eram. De como tudo havia sido perfeito e de como essa perfeição foi simplesmente arrancada dos meus braços, assim como minha alegria, minha paz, meu sorriso e o amor que havia em mim. Nunca mais seria a mesma e nunca mais seria completa. Sempre faltaria uma parte, sempre faltaria meu Viktor. Falar que a vida continua e que se deve seguir em frente é fácil. Mas como todos sabemos a teoria na prática é outra coisa. E eu simplesmente não conseguia. Dizer para os outros é muito bom. Dificil é dizer isso para voce mesmo. Chegar no espelho: "O que passou, passou e sua vida deve continuar." è muito complicado. Não é fácil enfrentar seus próprios medos e fantasmas e muito menos adimitir o quanto tem medo deles. O quanto eles te apavoram.
Eu apenas me empurrava vivendo um dia de cada vez. Procurando um momento de cada vez para tentar encontrar um modo de seguir em frente. E até agora eu ainda não encontrei nenhum modo para me sentir mesmo que fosse apenas um pouquinho viva. E isso era ruim. Muito ruim.
Fechei meus olhos por um longo momento enquanto tentava fazer meu coração bater em um ritmo aceitavel. Enquanto eu buscava de algum modo alguma forma de ser mais viva. Me levantei e corri para o banheiro.Precisava de um banho. Nada como àgua morna para fazer os sonhos e pesadelos sumirem.
Tomei um longo banho. Peguei a primeira roupa que estava na minha frente. E vesti. Me olhei no espelho só para ter certeza que não tinha nada de estranho no rosto: pasta de dentes por exemplo.
Juntei minhas coisas e sai do quarto. Meu pai já estava na mesa tomando seu café e eu apenas comi um pedaço de mamão. Ele me olhou e eu sorri para ele.
Ele já não perguntava como eu estava. Havia desistido a muito tempo.
Pouco depois juntei minhas coisas e fui para o trabalho. Ficar na editora durante o dia até que era proveitoso. Vinham livros para revisar. Gente querendo lançar novos romances e livros de auto ajuda. Artes para fazer. Tudo isso acabava me ajudando a me distrair. Agora por exemplo revisava um livro de aventura infantil. Muito legal. Pelo menos se conseguia distrair um adulto por que não uma criança?
Cheguei a e Tina estava lá. Sorridente me esperando.
Èramos amigas desde a época da faculdade e agora trabalhávamos juntas. Ela era a que mais me entendia. Tinha sido testemunha do meu sonho e da minha queda. De como eu fui a um mar de flores a um poço de espinhos. Ela sabia com me ajudar a lidar com minha dor. Ou pelo menos não me incomodava dizendo que eu tinha que ter uma recuperação miraculosa. Eu gostava de Tina.
__ Oi amiga, ela me respondeu já super animada.
__ Oi Ti. E ai como foi o fim de semana.
__ Maravilhoso.Você deveria ter vindo com a gente.
__ Eu sei mas tinha muito trabalho.
__ Okai da próxima vez você vai.
__ Tudo bem.
__ Já ouviu a nova?
__ Não. O que houve? A única coisa que se espalha mais rápido do que noticia de desastre aqui é fofoca.
__ Pior que é. Temos um estranho no ninho.
__ Como assim?
__ Vai chegar um cara novo.
__ Hein?
__ è um cara novo. Vai começar aqui hoje.
__ Que setor?
__ O seu.
__ Maravilha. O que ele vai fazer?
__ As artes para os livros e revistas.
__ Que ótimo. Mais um mala sem alça que sai sei lá de que pedaço de mundo e vem parar exatamente aqui como se caisse de para -quedas de sei lá que raio que o parta direto em cima da minha cabeça. Porque os imbecis sempre tem esse plano de voô. Será que tem um letreiro luminoso por cima da minha testa dizendo: Mandem os panacas que eu resolvo o resto?
Tina riu, pouco depois parou e olhou para minhas costas. Eu estava tão chateada que nem me dei o trabalho de ver.
__ Sério porque os novatos sempre ficam no meu setor. será que eu sou tão incopentente que devo ficar apenas ajudando os novatos. Aff que ódio. Qual é o problema comigo? Por que eu fico com os pepinos da história? Será que nunca pensam em mandar os iniciantes para outro setor? Será que eles pensam que eu não dou conta de mais nada?
__ Não. Acredito que é bem o contrário.- ouvi uma voz desconhecida nas minhas costas_ __ Acho que é porque você é uma pessoa inteligente, divertida e muito competente. Afinal esse grupo te disputou com 3 grandes editoras. e você tem propostas de sobra para pegar caso não queira mais ficar aqui. E eu acredito tambem que você fica com os calouros porque passa segurança e sabe guiar os primeiros passos deles. Já reparou que todos que iniciam com você sempre seguem e alcançam bons cargos aqui?
Fiquei sem graça e louca da vida com o entrometido escutando conversa alheia.
__ AH obrigada pelos elogios e você é?
__ O panaca, lesado, imbecil e incopetente que vai te atrapalhar esse mês.
Tina levou a mão ao rosto. Eu fechei os olhos. Minha face provavelmente estaria vermelha.
__olha, desculpa eu não estou tendo um dia muito bom.
__ Tudo bem. Sou Antony Muller.
__ Sou Liah. Essa é Tina.
__ Prazer em conhecê-la pode me chamar de Ant ou Tony. Mas Antony não.
__ Porque não?- Tina perguntou.
__ Muito sério não combina comigo.
Ela riu eu apenas sorri para ele.
__ Bom, bem vindo ao grupo. Espero que você consiga se adaptar.
__ Eu vou. Não sou tão lesado quanto você pensa.
__ Okai.
__ Vou falar com o chefe e já volto.
__ Tudo bem.
__ Até daqui a pouco Liah.
__ Até daqui a pouco... Antony.
Ele parou e me encarou.
___ Realmente você é osso duro.
__ O que?
__ Nada. Vou falar com o chefe ou me atraso.
__ Tudo bem. Mas que história é essa de osso duro.
Ele apenas sorriu e saiu de minha sala.
__ Nossa se a primeira impressão é a que fica. Amiga você esta perdida.- disse Tina.
__ Não mandei escutar a conversa alheia.
__ È mesmo. Mas nossa, ele é lindo.
__ Jura?
__ Você não reparou?
__ Mais ou menos 1,82 de altura. Tem o corpo muito definido. Olhos verde, cabelo castanho clarissimo.
Boca bem desenhada.
__ Nossa raio x.
__ Não apenas observação.
__ Mas e ai? è bonito.
__ Nâo que eu tenha notado.
Ela ficou em silêncio. Sabia que eu não veria beleza em ninguém.
Subi para reunião com o chefe e ele me passou todo o memorando: O carinha era um gênio. Artista plastico. Vendia quadros mas gostava de mecher com artes de livros e essas coisas. Foi preciso muito esforço para que ele aceitasse o emprego. E por fim ele aceitou. Ia trabalhar direto comigo. Fazer a arte dos melhores livros. E nós deveriamos trabalhar em equipe. Tina, ele e eu.
Pelo menos tem cerebro pensei enquanto saia.
Quando cheguei a minnha sala demorei um pouco olhando a janela.
Parando os olhos sobre a pilha de papeis e formulários eu vi. Algo que eu não via a muito tempo.
Um foco de cor chamou minha atenção em meio ao branco e pastel que reinava no lugar.
Em cima da minha mesa havia um botão de rosa vermelho.
Um Novo Dia
Postado por
Monique
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