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Na segunda feira estávamos em uma pequena reunião na editora. A pauta: a feira do livro.


Eu tentava realmente me concentrar no trabalho enquanto eu via Tony e Calvin que tecnicamente deveriam ser adultos normais e maduros dando alfinetadas um no outro. E Kátia que estava com uma cara de cachorro abandonado que me deu até dó. Mas como eu sempre penso. Melhor enquanto a briga é do outro lado. Fico feliz que não sobre para mim. Assim que cheguei a editora Tina me passou os detalhes do sábado: Tony chegou logo depois dela e perguntou por mim. Kátia o avistou algum tempo depois e foi gentilmente lhe fazer companhia. Ela e ele conversaram e dançaram. Depois Tony atrapalhou Tina que estava com um carinha, pediu a ela meu telefone e ficou conversando comigo. Alguns minutos depois voltou a atrapalhá-la pedindo meu endereço. Ela passou e ele saiu da festa. Kátia ficou sem entender nada. Nem Tina entendeu. Foi saber onde ele tinha ido porque eu contei na segunda.

Um garotinho que eu não conhecia bateu na porta, fui atender e era minha rosa. Já havia até me acostumado com essa situação. E tinha que admitir que quem mandava era inteligente. As vezes aparecia em cima da minha mesa, as vezes mandava alguém entregar.Eu já havia desistido de tentar arrancar a resposta dos pirralhos. Eles haviam sido bem comprados. Não entregariam o mandante. E eu já ouvia os murmúrios das apostas cada dia que eu recebia uma nova flor. Até eu já queria saber quem era o infeliz que estava fazendo aquilo comigo. As reações na sala foram as de sempre: Tony riu. Calvin olhou de cara feia e Kátia para variar fez cara de nada.

__ Essa historia de flores já esta cansando. - disse Calvin.

__ Não a mim. Eu até que estou gostando. È divertido. - eu disse.

__ Claro que é.

__ Ciúmes de Liah, Calvin?- zombou Tony.

__ Não. Não ciúmes.

__ Sei.

__ Eu acho que deveríamos dividir essa equipe em duas para render mais. Poderíamos nos separar em duplas e nos encontrar fora daqui para discutir idéias.

__ Eu não levo trabalho para casa. - disse Kátia.

__ Também não. – concordei grata por Kátia ter sido a primeira a falar.

__ Concordo.

__ Vocês não são comprometidos com o trabalho.

__ Você é um mala que se acha o tal.- eu explodi.

__ E você uma garota chata que se acha melhor que todo mundo por isso não se interage com ninguém daqui.

__ AH falou. Idiota eu converso com todo mundo aqui dentro.

__ Mas não é amiga de ninguém.

__ Tina é invisível por acaso?

__ Não, mas vocês já se conheciam.

__ E Tony?

__ Ele não é seu amigo.

__ È sim.

__ Você mal o conhece.

__ Isso é meu problema.

__ AH você se acha melhor que todo mundo. Se sente superior.

Decidi ignorar completamente as reclamações dele.

O chefe colocou a cabeça do lado de fora da sala e acho que percebeu o clima tenso. Devia ter nuvens com trovoes pairando ali. Ele chamou Antony para fazer alguma coisa. Tony parou na porta e disse:

__ Trouxe os DVDs?

__ Trouxe estão na bolsa.

__ Depois eu pego com você e ah pede seu pai a receita daqueles salgadinhos para mim. Estavam deliciosos.

Sorriu e saiu. Me deixando fuzilada pelo olhar de Calvin e Kátia.

Revirei minha bolsa procurando os DVDs e um buraco negro para me esconder. Tony havia feito de propósito. Jogado aquela na sala para ver o que aconteceria.

__ Ele foi na sua casa?- perguntou Calvin.

__ Foi. Ele esteve na minha casa.

__ Quando?- perguntou Kátia.

__ No sábado.

__ Que horas?

__ Umas 22.

__ Ele saiu da festa para ir na sua casa?

__ Acho que sim.

__ Caramba.

A cara de cachorro que caiu do caminhão de mudanças aumentou.

Coloquei os DVDs em pilha sobre a mesa e peguei novamente meu guia da reunião.

__ Temos que definir títulos para serem divulgados. E se possível apressem alguns escritores para fazer uma pré divulgação.

__ Ok. Vou apressar os meus. - respondeu Calvin prontamente.

__ Tudo bem. Acho que é só isso que temos que ver por enquanto.

Os dois saíram da minha sala e eu fiquei sozinha.

Tempos depois Tony voltou para a sala e sorrindo me disse:

__ E ai? Como ficou a reunião depois que eu fui embora?

__ Muito boa. Essa feira do livro vai terminar em desastre.

__ Você é muito exagerada.

__ Foi maldade o que você fez com a Kátia. Ela ficou triste ao saber que você foi para a minha casa. Isso não se faz com uma mulher.

__ Eu apenas disse que fui para a sua casa. Não aconteceu nada entre a gente e eu não tenho nada com a Kátia.

__ Eu sei.

__Ela é bonita, mas eu já disse que não me interesso por ela.

__ Tudo bem. Estou dizendo apenas para não ficar provocando a garota.

__ Esta bem, defensora das mulheres. Mas eu acredito que Kátia já é grandinha o bastante para saber que nem todo o homem do mundo esta afim dela.

__ Eu sei.

Ele me encarou. E se aproximou de mim.

__ Ah, antes que eu esqueça.

Estendi para ele os Dvds.

__ Cuidado é de coleção e eu sou bem ciumenta com minhas coisas.

__ Tudo bem. Vou ter o mesmo carinho que eu tento ter com a dona.

Ri e fiquei envergonhada.

Antes que eu percebesse, Tony puxou o palito que prendia meu cabelo. Senti os fios se soltarem até o meio das minhas costas. E logo em seguida o fuzilei com os olhos.

__ Me entrega isso agora.

__ Me deixa ver você primeiro.

__ Você esta me vendo, agora devolve isso.

__ Ah, por favor.

Ele se afastou um pouco para me olhar e disse:

__ Nossa, seu cabelo é tão bonito. Por que você o deixa preso o tempo inteiro.

__ Porque me incomoda.

__ Nada haver. Você fica mais bonita assim.

__ Obrigada. Agora devolve isso para mim.

Ele se aproximou e tirou a mecha de cabelo de traz da minha orelha deixando-a cair sobre meu pescoço. Meus cabelos já eram ondulados. O modo como eu os prendia sempre com o palito, deixava as ondas ainda mais acentuadas. Ele afagou gentilmente meu cabelo. Esse tipo de coisa ainda era algo que me incomodava. Causava sensações diferentes. As vezes eu sentia um leve arrepio quando ele fazia isso. Acho que é porque tirando meus pais eu não tinha contato físico com ninguém .seus dedos roçaram em minha pele quando trouxeram outra mecha de cabelo para junto de meu pescoço. O canto de seus lábios se elevaram em um leve sorriso.

__ Você deveria ficar assim.

Tony correu a ponta dos dedos sobre minha face. Eu prendi a respiração. Cintia, outra editora. Entrou na sala e pela primeira vez na minha vida eu vi Tony envergonhado.

__ Uau Liah.- disse ela para disfarçar.- eu não fazia idéia que o seu cabelo era assim.

__ Isso é um elogio?- perguntei.__ Se for. Obrigada.

__ È um elogio.- ela me respondeu sorrindo.

Ela me passou as coisas que tinha que passar e me pediu ajuda em um projeto. Resolvemos o que tínhamos de resolver e ela saiu. Me perguntei como não havia ouvido o barulho do seu salto enquanto ela entrava na sala.

Tony estendeu a mão para mim e me passou o palito. Prendi novamente o cabelo. Acredito que ele tenha ficado constrangido. Porque não falou muito depois disso.

Almoçamos juntos e para evitar problemas ele não se atreveu a pagar. Mas me deu a trufa que sempre dava.O restante da tarde foi extremamente tedioso. E o seu bom humor já voltava. A maior parte do tempo ele ficou fazendo piadas de coisas absurdas e tolas.

A noite na minha casa, enfim o interrogatório chegou.

__ Quem era aquele garoto?- perguntou meu pai durante o jantar.

__ Antony, ele é da editora. Trabalha comigo.

__ Você nunca traz amigos aqui.

__ Eu sei. Ele veio por conta própria.

Mamãe riu.

__ E porque?

__ Ele me chamou para ir a uma festa que o pessoal da editora fez. Eu não quis ir e ao que parece ele não quis ficar. A tina disse onde eu morava e ele veio parar aqui em casa.

__ Tudo bem.

__ Ah, ele pediu a receita dos salgadinhos. Disse que estavam deliciosos.

__ Maravilha. Quando ele voltar eu passo a receita para ele.

__ Quem disse que ele volta?

Papai se limitou a rir.

__ Ele é um garoto muito bonito.- disse mamãe.

__ È?

__ Claro que é. Você não é cega,Liah.

__ Tem razão. Ele é bonitinho.

__ Gostei dele.- disse papai.

__ Eu sei. E ah, eu não tenho mais dezesseis anos. Então senhor Cássio, é feio ficar bisbilhotando da janela.

__ Você fez isso?- perguntou minha mãe.

__ Eu não estava espiando. Eu olhei por acidente na hora em que ele deu um beijo nela para se despedir.

__ Beijo?

__È. Na testa.- disse ele.

__ Hummm.

__ Vocês não existem.- eu disse e sorri.

Terminado o jantar, os 3 limpamos a cozinha. Eram por volta das 22 e 15 quando ouvi meu celular tocando. Reconheci o numero imediatamente. Era ele.

__ Esta brava comigo?

__ Não.

__ Jura?

__ Juro. Eu acho que você diz e faz coisas sem o menor sentido as vezes mas tudo bem.

__ Sem sentido para você. Se você tivesse no meu lugar veria que tudo tem uma perfeita explicação.

__ De que você esta falando?

__ Nada. Eu só liguei mesmo para saber como você esta?

__ Eu estou ótima e você. Esta estranho.

__ Obrigado.

__ Bobo. Quis dizer esta diferente do jeito que é normalmente. Entende?

__ Fiquei pensando em você estar chateada comigo.

__ Eu não fiquei. Pode ficar tranqüilo.

__ Eu não sei o que deu em mim. Me deu vontade de ver como você ficaria e depois eu senti uma vontade inexplicável de te tocar. Sei lá acho que eu estou surtando.

__ Não seja dramático.

__ Sério.

Eu ri. Depois disso se instalou um silencio estranho.

__ Bom eu só liguei para saber se você esta bem. Então durma com os anjos.

__ Obrigada e você também.

Depois de desligar o telefone fiquei sentada na cama olhando para a janela.

Ainda fiz algumas coisas pela casa e então adormeci. Dessa vez eu não tive sonhos.



__ Vou dar uma festa no sábado.- anunciou Tony como Bom dia na terça de manha.

__ Bom dia, Tony.

__ Bom dia- disse ele se sentando a meu lado. - Sério eu vou dar uma festa no sábado e vou chamar o pessoal da editora. E espero que você vá.

__ Você sabe que as suas esperanças são vans. Eu não vou para a sua festa.

__ Você vai sim. Ou eu vou parar na sua casa de novo.

__ Esteja à vontade.

Ele me olhou sério. E depois riu.

__ Aposto que você vai.

__ Quer apostar o que?

__ Cinema semana que vem?

__ Fala sério?

__ Mais impossível.

__ Então esta bem. Se eu for a sua festa eu vou ao cinema com você. E se eu não for?

__ Faço o que você quiser.

__ Você da uma chance para a Kátia.

__ Jogou duro hein? Mas eu não ligo. Você vai à festa mesmo.

__ Veremos.

__ Tudo bem. E ai que filme você gosta?

__ Terror.

__ Vou te levar para ver uma comédia.

__ Ta legal.Vou nessa festa o dia em que o inferno congelar.

__ Espero que “Você Sabe Quem” Tenha um casaco reserva.

Os dois demos gargalhadas dentro da sala.

Passamos o restante do dia nessas brincadeiras.

Cheguei à editora na quarta feira e ele estava na sala do chefe conversando com ele. Sobre a mesa havia minha rosa, sorri ao vê-la. Troquei a água do jarro e a coloquei. Toda manha eu fazia isso. Por um momento aquela rosa mexeu em meu baú secreto de lembranças. Lembrei-me de quantas vezes eu havia recebido dúzias de rosas vermelhas por motivos tão bobos. E as vezes sem motivos nenhum. Quantas vezes após algum recital eu havia recebido rosas vermelhas como essas. E mesmo quando por algum motivo ele não estava. Não me deixava sem minhas rosas. Acredito que minha expressão ficou ruim. Porque quando voltei a mim, Tony estava na minha frente e me olhava com um ar preocupado.

Sacudi minha cabeça tentando espantar a mancha de tristeza de meu rosto.

Tina não almoçou conosco aquele dia. Ela teve um compromisso. Saímos juntos da editora e fomos para o restaurante de sempre. Ele abriu a porta para mim na entrada. E sorriu da minha expressão.

__ Tem um cavalheiro escondido ai dentro?- perguntei depois que ele puxou a cadeira para eu sentar.

__ Qual é? Eu tenho bons modos sabia. Mas você e Tina quase me agridem quando eu tentos

__ Ser educado é uma coisa. Querer pagar tudo é outra.

__ È questão de costume. Sou mais velho que as minhas irmãs e acabei pegando essa mania.

__ A mania de se despedir com um beijo na testa também?- perguntei erguendo a sobrancelha.

Ele ficou vermelho.

__ Às vezes ajo por reflexo quando estou com você.

__ Como assim?

__ Nada. È que às vezes eu esqueço que você não é uma pessoa normal e tenho atitudes que eu teria com outras mulheres.

__ A quanto tempo você não namora?

__ Namorar sério ou ficar com alguém?

__ Tanto faz.

__ Bom, namorar mesmo tem um ano e alguns meses. Ficar com alguém, talvez umas 2 semanas.

__ Considerando que você é um galinha assumido. Isso é bastante tempo.

__ Já disse que estou interessado em uma pessoa particular e vou fazer o possível e o impossível para ficar com ela. E você a quanto tempo esta sozinha.

__ Quase 2 anos.

__ Sério?

__ Mais ou menos 1 ano e 8 meses.

__ E porque?

__ Não me interessei por ninguém.

__ Em quase dois anos?

__ È.

__ Você é muito seletiva.

__ Não é isso.

__ Então o que é?

__ Coisa minha, Tony.

__ Está bem. Não vou discutir.

Ele me encarou de um jeito que eu sabia que queria dizer alguma coisa.

__ Pode falar.- eu me adiantei.

__ Eu apenas não te entendo.

__ Como assim?

__ Você veio com aquela de que perdeu o jeito para o piano e acha que eu cai. Você estava num sábado à noite dentro de casa vendo filmes de terror. E pelo amor de Deus você é uma mulher linda. Às vezes vejo você ficar triste do nada e depois volta a mascara de força que faz questão de usar. E eu ficou louco tentando imaginar o que faz você se esconder assim.

__ Estou?

__ Sim você esta.

__ Então porque você não toca mais?

__ Perdi a vontade.

__ Esta bem. Já vi que não vai sair nada dessa conversa. Mas eu vou te dar um aviso: Você não vai ficar assim para sempre. Eu não vou deixar.

Eu ri.

__ Estou falando sério. E se para te deixar um pouco mais viva eu tiver que parar na sua casa e assistir a filme de terror. Pode ter certeza que eu vou fazer.

Seus olhos me invadiram de um jeito tão intenso. Por um breve instante me perdi neles.

__ Tudo bem.

Ele sorriu para mim. E eu fiquei pensando o que haveria naquele cara para deixá-lo desse jeito. Antony era o tipo de pessoa confiante ao extremo. Do tipo que não vê nenhum problema como sendo grande demais. Do tipo que se acha forte o bastante para enfrentar qualquer coisa, mesmo sendo alguém tão mal humorada quanto eu. E eu devo admitir que gostava muito da companhia dele. Era bom ter mais alguém dentro da minha redoma de vidro que não fosse os 3 que já pertenciam a ela. Dentro de 1 ano e 8 meses, enfim eu tinha deixado mais alguém entrar em minha vida. Parecia piada, mas a vinda dele realmente teve um lado bom.

Naquela sexta feira ele se despediu de mim me entregando um mapa da casa dele. Disse que eu precisaria dele para chegar lá. O deixei em cima da bancada da cozinha quando entrei em casa. E me preparei para mais um fim de semana tranqüilo.

23:30, estava deitada lendo quando meu celular tocou. Tony de novo.

__ O que você esta fazendo?- ele perguntou.

__ Deitada, planejando desesperadamente dormir. E você?

__ Do lado de fora de casa tentando encontrar alguma forma nesses pontos brilhantes do céu.

Eu ri.

__ E porque você esta fazendo isso?

__ Para te impressionar.

Ri mais ainda.

__ Bobagem. Fiquei curioso só isso. Se você gosta tanto de olhar para cima, alguma coisa de bonito deve ter.

__ È lindo. Quando você sabe o que esta procurando.

__ Eu sei. Semana que vem depois do cinema você me mostra alguma coisa.

__ Semana que vem depois do seu encontro com a Kátia, posso te ensinar alguma coisa.

__ Você virá na festa amanha.

__ Eu não vou.

Ele riu.

__ Nós parecemos duas crianças fazendo pirraça para descobrir quem vence primeiro.

__E é isso mesmo.

__ Mas se você não aparecer na festa amanhã. Eu posso ir na sua casa no domingo?

Estranhei, mas não quis ser mal educada. Papai morreria se soubesse que eu fui grossa demais com alguém.

__ Pode vir. Se quiser vem almoçar aqui.

__ Então está combinado. Vou almoçar na sua casa.

Gf Ficamos ainda um bom tempo no telefone, apenas conversando coisas bobas. Passava da meia noite quando ele se despediu me desejando uma boa noite e dizendo para eu dormir com os anjos.

Adormeci.

Para variar sonhei com Victor de novo. A dor surgiu e se foi com o despertar no outro dia. Quando desci para o café minha mãe sutil como sempre perguntou:

__ Vai a uma festa hoje?

__ Não. Tony vai dar uma festa mais eu não vou.

__E por que não?

__ Porque eu não gosto de sair.

__ Filha.

__ Mamãe, por favor. Não começa com isso de novo.

__ È que eu apenas não queria ver minha filha dentro de casa para sempre.

__ Mas eu não tenho vontade de sair mãe.

Ela desistiu e se levantou.

Papai me olhou. Já sabia que iria dizer alguma coisa.

__ Pode falar...- me adiantei.

__ Liah. Você precisa entender sua mãe. Ela quer o melhor para você.

__ Eu sei pai eu entendo.

__ Você deveria tentar pelo menos sair mais um pouco sei lá.

__Pai. Eu não quero sair.

__ Liah independente de tudo que aconteceu você tem que entender: Viktor não vai voltar. Não importa o quanto você fique assim ou o quanto isso a magoe. Ele não vai voltar. Você já sofreu demais com isso. Está na hora de deixar ir.

__ Acha mesmo que eu não gostaria.

__ As vezes eu tenho dúvidas.

__ Como assim?

__ Querendo ou não. Você ainda se mantém ligada a ele. Acredito que sua dor ainda seja seu único elo de ligação com Viktor a única marca dele que ficou em sua vida. E você não quer perder isso. Por isso se recusa a aceitar e a mudar.

__ Eu juro que não acredito que estou ouvindo isso.

Tem hora que meus pais parecem loucos. È difícil acreditar que eu o ouvi dizer que eu sofro porque gosto. Senti vontade de gritar. Mas respeito demais meus pais para isso. Então simplesmente me limitei a sair do jardim e voltar novamente para meu buraco negro.

Tomei um banho demorado. Lavei os cabelos. Me sentei no azulejo do banheiro e fiquei apenas deixando a água cair sobre meu corpo. Tinha uma vontade enorme de sumir dali. Queria pelo menos perder a memória. Ou apagar pelo menos parte dela. Ou simplesmente dormir. Dormir até um dia que eu possa acordar e respirar direito. Até o dia em que eu possa sorrir e ser feliz. E que a dor passe. Ou simplesmente fique mais suportável. Coisa que agora não era nem de longe. Às vezes eu me esquecia e depois voltava tudo. Cansei de me enganar.

Ouvi uma batida na porta do banheiro.

Estou viva.- eu gritei.

Não me incomodaram mais. Fiquei ali por muito tempo. Quando enfim resolvi sair do meu esconderijo, fiquei no meu quarto. Mamãe já sabia que quando isso acontecia eu não saia do quarto por muito tempo. Então ela nem se incomodou. Quando senti vontade de comer algo desci as escadas. Ouvia barulho na cozinha o que significava que papai estava fazendo alguma coisa. Provavelmente bolo de banana. Uma tentativa de reconciliação e a prova cabal de que ele sabia que tinha vacilado.

__ Eu queria que fosse diferente. - ouvi a voz de meu pai.

__ Eu sei. - minha mãe disse- Também queria.

__ Meu Deus, ela é uma musicista tão talentosa. Tem 2 anos que eu não a ouço tocar. Tem 2 anos que eu vejo minha filha vegetar. Ela não sai. Ela não se diverte. Ela não participa de nada.

__ Cansei de comprar vestidos novos na esperança de que ela usasse.

__ Eu queria ver minha filha sair por essa porta. Linda como ela era, bem arrumada, radiante.

__ Se lembra de como ela era elegante?- Mamãe disse.

__ Sempre teve ar e porte de princesa. Até de jeans ficava bem.

__ Ainda fica. Ela é muito bonita.

__ Mas não se importa mais com isso.

Fechei os olhos.

__ Liah era encantadora. Gustavo telefona. Sempre pergunta por ela. Mas já desistiu de uma visita.

__ Ela nunca mais foi lá. Ele se sente tão sozinho. A compania dela seria ótima.

__ Mas, ela não se dispõe a ir lá.

__ A machuca.

__ Eu sei. Mas a Liah tem que entender que a vida continua.

__As vezes- mamãe suspirou- Eu tenho a impressão que perdi meus dois filhos. Richard morreu e Liah, praticamente a mesma coisa.

Meu coração parou por um momento.

__ Quando Richard se foi. Pensei que eu não iria suportar ter outra criança. Quando tivemos Liah eu tentei fazer por ela o que eu não tive a chance de fazer por Richard.

__ Eu sei. Ela é nossa menina.

__ Sim é. E eu adorava quando saímos para fazer compras e quando eu trazia vestidos, roupas e perfumes. Que ela adorava e usava. Eu também adorava Viktor, não tem idéia do quanto eu queria ver os dois casados.

__Eu também.

__ Mas eu não quero ver minha filha um zumbi como ela está. Tem hora que eu lamento que os dois tenham se conhecido.

__ Eu penso assim as vezes. Estou cansado de olhar para a Liah e ver aquele vazio nos olhos dela. Ela deixou Tony se aproximar, mas eu não sei até onde isso vai.

__ Não vai longe. Ela vai se fechar de novo.

__ Gostaria que não.

__ Me mata ver minha filha no quarto em uma tarde de sol como essa.

Fui para meu quarto. Nunca tinha pensado por esse lado. Eu sabia que eu sofria. Não sabia que fazia meus pais sofrerem dessa forma. Eles sofriam junto comigo. Ou até um pouco mais que eu. Pensei no que minha mãe disse sobre parecer que eu havia morrido. E realmente parecia.

Lembrei de quantas vezes Tina falou a mesma coisa. E de Tony me dizendo que eu parecia morta viva.

Mas o que mais me doía era a dor de estar sendo uma filha ruim para meus pais, de estar causando tanta dor para os dois. Papai e mamãe sempre foram tão bons para mim e agora eu era o motivo de dor para eles. Eu nunca imaginei por esse lado. Que eles sentiam a mesma dor que eu. O que eu poderia fazer?

Não sentia a menor vontade de fazer nada de ir para lugar nenhum, de respirar sequer.

Me joguei na cama e afundei a cabeça no travesseiro. Chorei. Nem eu sabia que poderia chorar tanto. Mas chorei como nunca havia feito antes. Não sei dizer se chorei tanto assim quando Viktor morreu, naquele dia pensei que estivessem arrancando meu coração. Hoje eu vi que ainda restou uma parte dele e era essa parte que parecia estar sendo retirada sem anestesia nesse exato momento. E eu queria apenas que a dor passasse. Será que passaria algum dia.

Acho que o choro me deixou exaustão porque adormeci. Acordei a luminosidade do quarto já havia diminuído, o luminoso do relógio me dizia que eram 17:55. Sentia um torpor estranho pelo corpo. Desci para comer alguma coisa e não havia sinal de mamãe ou papai. Olhei para fora e vi os dois sentados conversando no jardim. Eu fiquei olhando por um tempo. Eles se amavam mesmo.

Depois de comer um sanduíche muito nutritivo, subi novamente para o meu quarto. As 20:00 horas fui tomar outro banho. E me sentei na frente da televisão de novo. As 21:00 meu celular tocou.

__ Oi.

__ Você já esta aqui- ouvi a voz de Tony abafada pelo barulho das musicas altas.

__ Não.

__ Esta no caminho?

__ Não eu estou em casa.

__ E a que horas você vêm?

__ Eu já disse que não vou.

__ Por favor, ou você vem ou eu vou te buscar.

__ Boa sorte então.

_ Estou falando sério.

__OK.

Desligamos o telefone e continuei sentada na poltrona vendo televisão.

As 22 o telefone tocou novamente.

__ Oi Tony.- Estranhei que o som da musica havia diminuído.

__Já esta vindo?

__ Não. A festa já acabou.

__ Não. Esta ótima.

__ Sem som.

__ Você não veio não é?

__ É.

__ Que ótimo porque eu estou indo te buscar.

__ O que?

__ Já estou dentro do carro dando partida, agora.

E para completar eu ouvi o ronronar suave do motor.

Dei um pulo da cadeira.

__ Você é doido.

__ Espera só um segundo.

__ Liah- ouvi a voz de Tina _ Ele esta indo para sua casa. Estamos saindo agora.

__ Viu eu disse.- ouvi a voz dele.

__ Tony , espera eu vou . Ok eu vou sozinha me dá meia hora e eu chego ai.

__ Liah se em meia hora você não estiver aqui eu vou ai te buscar e Deus me ajude mas eu vou te trazer do jeito que você estiver.

E com esse recado reconfortante ele desligou o telefone.

Levei dois segundos para pensar e depois corri em disparada para o banheiro.

Meu cabelo ainda estava molhado e eu teria que esperar para prender. Fui para o closet e procurei uma roupa que desse para sair. Vi um monte de calças ainda com etiqueta e peguei uma escura de corte reto. Olhando nas coisas vi uma blusa de alças um pouco mais solta e com um bordado delicado no busto, era branca. Com um dor no peito percebi que minha mãe havia mandado lavar meus sapatos. Me xinguei por isso. Procurando, encontrei um scarpin, praticamente novo. Preto e de salto médio. Rezei para conseguir me equilibrar naquilo de novo. Me vesti e me olhei no espelho. Até que não tinha ficado ruim. Deixei meu cabelo de lado e ele estava levemente ondulado. Não sei qual foi o milagre mas a franja lateral estava mais lisa. Ótimo. Passei a lixa correndo nas unhas. E peguei um colar com um pingente pequeno que minha mãe havia me dado.

E desci as escadas.

Bom pelo jeito que meu pai chegou no pé da escada. Suponho que ao ouvir o barulho do salto ele tenha pensado que a casa foi invadida. Ele ficou me olhando como se nunca houvesse me visto na vida.

__Papai eu vou sair, vou na festa do Tony e não devo chegar muito tarde.

__ Ãh ?

__ Pai.

__ Tudo bem. Seu carro tem gasolina?

__ Sim.

__ Tem a chave de casa?

___ Sim, Pai.

__ Dinheiro?

__ S im.

__ Esta levando o celular.

__Pai?!!!!!!

Eu comecei a rir. Minha mãe veio ver o que estava acontecendo e teve a mesma reação.

__ Ela vai para a festa do Tony, não vai chegar muito tarde e esta levando chave de casa, dinheiro e celular.- Meu pai disse.

__ Claro. Divirta-se querida.

Ela me deu um beijo e meu pai também.

Olhando para mamãe tive a impressão que ela tinha lágrimas nos olhos.

Sai da cozinha com o mapa nas mãos. Entrei em meu carro e dei a partida.

Bom com o GPS do carro cheguei lá bem depressa. Sem erros. Assim que parei o carro o celular tocou.

__ Eu estou aqui na porta. Pelo amor de Deus, Tony.

Se ele respondeu algo eu não ouvi.

Sei que tentando atender ao celular meu palito de cabelo rolou para debaixo do banco. Tentei alcançá-lo de todo jeito e nada. Por fim desisti. Quando sai do carro vi Tony parado perto de um gramado olhando. Não sei se ele não me reconheceu mas continuou olhando como se não tivesse me visto até que eu cheguei bem perto dele. Ele me olhou de cima em baixo e disse:

__ Não sabia que a Liah tinha uma irmã gêmea.

__ E eu não sabia que você era tão pateta.

Ele riu.

__ Que bom que você veio.

__ Depois da sua ameaça o que você queria.

__Com certeza foi melhor você vir sozinha. Esta linda.

__ Obrigada.

__ Vem vamos entrar.

O acompanhei. Pelo visto ele tinha usado o salão do condomínio.

Havia bastante gente ali. Tinha quem trabalhava na editora e pessoas de fora.

Tina me viu e correu para me dar um abraço.

__ Nossa amiga você esta linda.

__ Obrigado.

O som estava mais alto .

Tony me perguntou algo e eu não entendi direito.

__ Você quer beber alguma coisa.- perguntou ele próximo a meu ouvido.

__ Quero.

__ Cerveja, Tequila, Refrigerante.

__ Refrigerante.

__ Só um minuto.

Ele saiu e me deixou sozinha um pouco. Foi tempo o suficiente para Calvin me ver.

__ Eu não sabia que você vinha. - disse ele se aproximando.

__ É. Nem eu.

__ Você esta muito bonita, Liah. Não sabia que você era assim.

__ Obrigada, Calvin.

__ Você esta sozinha?

__ È mais ou menos isso.

__ Ah eu posso te fazer companhia?

Pensei em um jeito de fazer isso sem ser grosseira.

__ Você não veio com ninguém.

__ Não. Estava conversando com uns amigos. Nada de mais.

__ Entendi.

Me sobressaltei quando vi um braço sobre meus ombros e logo surgiu uma lata de coca-cola na minha frente. Tony havia voltado.

__ Ah obrigada.- eu disse.

__ Esqueci de perguntar se você bebe coca-cola porque eu posso pegar outra coisa.

__Eu gosto de coca-cola.

Ele sorriu.

Calvin olhava de mim para Antony e em seguida para o braço dele que percebi ainda estar em meu ombro.

__ Não sabia que você estava com Antony.

__ Como assim estar comigo?- Perguntou Tony inocente.

__ Com ele na festa.

__ Ah eu pensei que ele só estava me recebendo e iria sair depois.

__ Não, - disse Tony- Eu vou ficar com você o resto da noite. A menos que você queira que eu saia.

O tom da voz de Tony apresentava uma certa ironia.

-__ Calvin se quiser se juntar ao grupo.- acrescentou Tony estreitando o braço em meu ombro.

Calvin nem respondeu. Se virou e sumiu no meio do pessoal.

Tony riu.

___ Você é mau.

__ Você quer ficar com ele. Se quiser depois eu volto.

__ Não.

Ele riu mais ainda.

__ Bebe o seu refrigerante.

Abri a lata e bebi um pouco.

Ele sorriu para mim e eu quis entender de que ele sorria.

___ Qual é a graça?

___Nada é só que eu não imaginava que trabalhar na editora fosse tão divertido.

Eu tive que rir dessa.

__ Vem vamos curtir a festa.- ele disse e me deu a mão. Antes que eu pudesse dizer alguma coisa ele saiu me puxando.

Conheci amigos de Tony, eram legais. A cada passo dado vários olhares se fixavam em mim. Eu não sabia se o espanto era por me ver na festa, eu estar mais arrumada, ou eu estar de mãos dadas com Tony.

Demos de cara com Kátia, e o olhar dela foi de meus pés a cabeça, parando na minha mão. Senti um frio na espinha pelo modo como ela me olhou. Eu acabaria tendo muitos problemas pelo visto. Depois de cumprimentar muita gente e receber diversos comentários do tipo:” Poxa nem te reconheci!” e ter que sorrir a cada comentário. Enfim Tony se cansou de rodar comigo e paramos em um canto.

__ Quer uma cerveja?- ele perguntou.

__ Não e você porque não está bebendo.

__ Hoje estou sem vontade de beber.

Ele me olhou de um jeito diferente:

__ Fiquei feliz por você ter vindo. Não gosto de pensar em você sozinha em casa fazendo sei lá o que.

__ Eu iria ficar bem.

__ Prefiro você aqui comigo.

__ E porque ? – eu disse tentando não ficar sem graça.

__ Porque eu fico melhor com você por perto.

De repente minha lata de coca-cola se tornou muito interessante. Olhei para ela como se estivesse lendo a melhor historia do século.

Ele ficou em silencio.

__ Não fazia idéia que eu era boa companhia.- eu disse para quebrar o gelo.

__E eu que você sabia fazer piada.

__Viu estamos nos descobrindo.

Tomei mais um longo gole da minha coca-cola.

__ O pessoal esta bebendo com vontade.- comentei

__ Muita vontade.

__ Espero que ninguém durma pelos cantos.

__ Eu também.

__ Sua namorada esta aqui?

__ Não tenho namorada.

__ E a garota que você esta afim?

__Essa esta.

__ E porque você não esta com ela.

Ele me olhou e sua expressão era de riso.

__ Você é inocente ou burra.

__ Ei.

Eu ia discutir com ele quando o DJ aumentou o som. De repente todo mundo estava dançando e Tony e eu parados de frente um para o outro.

__ Você não dança?- ele perguntou.

__ Não sei dançar.

__ Qual é? È só mexer o corpo para um lado e para o outro.

__ Eu não sei.

__ Sabe sim.

__ Não eu não sei. E eu não vou dançar.

Sai do meio da multidão e fui para um canto. Ele veio atrás de mim.

__ Porque você é tão mal humorada?

__ Eu já disse que eu não sei dançar. E não começa a me perturbar ou eu vou embora.

__ Está bem. Eu vou ficar quieto.

Estavamos perto do Open Bar. Olhei para o lado e vi Kátia e suas amigas bebendo em um copo pequeno. Presumi que era tequila.

__ Vai beber Liah?- perguntou Sandra.

__ Não. Eu não vou .

__ Ela não agüenta, não consegue virar um copo.- disse Kátia provocando.

__ Eu não sabia que beber fazia parte de um concurso de talentos.

Eu disse e virei as costas.

__ Frouxa- eu ouvi ela dizer.

Bom, posso garantir que meu cérebro processou isso em duas partes. 1° Eu mato essa criatura. 2° Eu vou socar a cara dela. Porém eu decidi sair na diplomacia.

__ Bebo mais que você e não fico bêbada.- eu disse.

Sabia que ela estava querendo se mostrar para o Tony. O orgulho era o seu defeito.

__ Eu aceito.- ela disse.

__ Eu não acho isso uma boa idéia.- disse Tony.

O Bar tender serviu o primeiro copo com um limão partido em quatro partes do lado. Ela o virou e sugou o limão fazendo careta.

Eu fiz o mesmo logo em seguida.

Bom, eu calculei que seria estranho beber depois de tanto tempo. Mas eu não calculei o quanto a bebida era forte. Ela já desceu em minha garganta me causando uma queimação imensa. Me fiz de forte e suguei o limão também.

Tony me olhou como se já soubesse que aquilo não daria certo.

__ Manda outra.- eu disse.

Ela virou e eu também. 3° dose. 4°dose.5ºdose.

Percebi quando ela começou a desistir. Porque eu comecei a me enjoar também.

Me fiz de forte e continuei a beber. Eu só queria parar mas não queria que ela vencesse.

Depois da 6° dose ela disse.

__ Desisto.- e saiu batendo o salto.

Tony gargalhou.

__ Eu acho que estou sentindo alguma coisa.

__Você ficou bêbada.

__ Não. Estou apenas tonta.

__ Vem fica perto de mim.

Tony ficou de frente para mim.

__ Toma um refrigerante. Ajuda a melhorar.

Bebi o meu refrigerante.

__ A Kátia vai matar você sabia?

__ Sei.

__ E?

__ Vou correr o risco.

Ficamos parados ali um pouco. Olhei para frente e vi Kátia me olhando furiosa do outro lado. E decidi. Começava a tocar uma musica reconhecia. Poker Face. Lady Gaga.

Me levantei e puxei a mão de Tony. Paramos no meio do pessoal tentei me lembrar de como dançava. Apenas comecei a me mexer. Tony me acompanhou. Não fazia idéia de como era fácil.

Perdi o a noção do tempo de quanto eu dancei. Mas no fim estava exausta. E mesmo assim não queria parar. Vez ou outra eu percebia Tony me tocar e mesmo assim levava na brincadeira.

Por fim foi ele quem disse:

__ Ah meu pé já esta doendo.

Fomos para a área externa do salão.

__ Eu nunca mais te provoco com nada.

__ E porque?

__ Você virou gole após gole para não deixar Kátia satisfeita e depois me fez desistir de ficar na pista de dança.

__ Eu não me divirto assim tem quase 2 anos. Obrigada Tony.

__ De nada. Quer comer ou beber alguma coisa.

__ Não.

__ Nada?

__ Quero outra tequila.

__ Liah. Olha o exagero, como você vai embora depois.

__ Vou de taxi.

__ E o carro?

__ Fica aqui e você leva amanha.

__ Quer dormir aqui?

__ Nem pensar.

__ Estou oferecendo como amigo.

__ Eu sei. Mas eu quero outra tequila.

__ Okai.

Ele se levantou e foi buscar.

Virei o copinho novamente.

Ele riu.

Ficamos sentados conversando. Tony me contava coisas de sua vida em família. Eu ria com suas historias. E lhe contei um pouco de minha vida. Mesmo sabendo que não era nem de longe tão emocionante. Ele prestava muita atenção em cada coisa que eu falava. E eu percebi meio constrangida que seus olhos não saiam de mim por nenhum minuto que fosse.

Era fácil falar com ele. E era muito bom enfim ter alguém com quem falar.

__ Semana que vem temos um cinema.- ele disse

__ Eu esqueci dessa aposta.

__ Eu não. E nós vamos.

__ Eu sei que vamos.

__ Que filme você quer ver. Romance?

__ Nem matando.

__ Terror também não.

__ Comedia.

__ Perfeito.- ele cedeu.- Jantar depois?

__ Nada disso.

__ Ah qual é?

__ Pizzaria.

__ Tudo bem. Tem que me mostrar constelações .

__ Eu vou tentar.

__ Okai.

Olhei no relógio e ele para minha surpresa marcava 2:20 da manhã.

__ Eu preciso ir embora.

__ Esta cedo.

__ Não para mim.

__ Espera mais um pouco.

__ Eu tenho que ir.

__ Bom nós temos um problema.

__ Qual?

__ Você bebeu. Não pode dirigir.

__ Eu não estou bêbada.

__ Se a policia te parar você vai ter problemas e todo sábado tem blitz na rua.

Droga eu tinha esquecido dessa.

__ Vou ter que esperar a Tina ir então.

__ Ela também bebeu.

__ E como ela vai?

__ Bom. Ou eles vem de taxi, ou escolhem alguém para não beber.

__ Isso é bom. Segurança em primeiro lugar.

__ Viu somos delinqüentes responsáveis.

Eu tive que rir dessa.

__ Vou de táxi. – eu disse.

__ Eu te levo.

__ Não precisa.

__ Eu vou levar você.

Eu o encarei desafiadora depois lhe dei a mão e o puxei novamente para a pista de dança.

Dançamos muito. Até que enfim eu não agüentei mais.

Insisti em vir sozinha e ele não deixou.

__ Isso não é necessário.- eu me queixei enquanto ele dirigia.

__ È sim.

__ Não. Eu posso ir sozinha.

__ Dá um tempo.

__ Depois como você vai voltar.

__ Venho de táxi.

__ Não. Você volta com meu carro.

__ E se você precisar dele?

__ Uso o da minha mãe ou do papai. E se por acaso eu estiver assim tão azarada que nenhum deles funcionar e não houver táxi disponível nessa cidade. Eu ligo para você. Você não gosta de ser o cavaleiro branco salvando a donzela indefesa?

__ Esta me dizendo que você é a donzela indefesa?

__ Não.

__ Viu só para você ver que eu tinha razão.- ele apontou para a frente e vi luzes vermelhas piscando. Realmente estava acontecendo uma blitz. E se eu estivesse no volante. Seria barrada com certeza.

__ Obrigada. – eu disse.

__ De nada.

__ Você é um cara legal.

Ele sorriu.

Chegando a minha casa . ele me acompanhou até a porta.

__ Amanha cedo eu trago seu carro.

__ Não precisa. Traz quando a gente se encontrar.

__ Você vai ficar até segunda sem ele?

__ Não. Você vem almoçar aqui amanha. Esqueceu?

__ Sim. Eu tinha esquecido.

__ Vai furar?

__ Não. Eu estarei aqui.

__ Meio dia.

__ Tudo bem.

Ele sorriu e me olhou. Depois mudou o peso nos pés desconfortável.

È aquele tipo de coisa que você sente que vai acontecer, mas não consegue evitar. E eu queria evitar aquilo porque não queria perder o carinho e a amizade de Tony.

Ele mais um vez tocou me rosto e afastou meu cabelo para traz da orelha.

Ele se inclinou em minha direção. O alvo dessa vez não era minha testa. Eu congelei. Senti sua respiração em minha face. Ele tinha a mão em meu rosto o mantendo em sua direção. Eu sabia que aquilo não daria certo. Vi seus olhos azuis brilharem de um modo lindo. E a poucos milímetros do meu lábio ele piscou e beijou delicadamente o canto de minha bochecha a poucos milímetros de minha boca.

Quando ele se afastou. Meu coração estava disparado e eu ainda estava agarrada no lugar.

__ Durma com os anjos Liah.- disse ele descendo as escadas.

__ Você também.

Consegui dizer antes de entrar.

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