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Tentativas - Parte II

Eu ainda me questionava o quem poderia ter me dado aquela rosa. Pensei nisso o caminho de volta para casa. Por mais que eu me esforçasse e espremesse minha mente atrás de qualquer informação. De qualquer traço que fosse de alguém que pudesse estar me mandando aquilo. Nada parecia se encaixar. Era a segunda vez que aquilo acontecia. Eu teria que começara a bancar a louca paranóica. Vigiar para pegar o infeliz. Quem quer que fosse eu iria descobrir. Antes de sair Antony me lembrou de levar um jarro no outro dia. Para que ele não tivesse que pegar mais um copo na cozinha. Ele era até engraçado. Eu detestava admitir mas ele era.


Chegando em casa, meu pai avistou logo aquele foco de cor vermelha na minha mão. Vi um brilho em seus olhos quando ele me perguntou:

__ Quem te deu?

__ Não sei.

__ Como assim?

__ Simplesmente apareceu na minha mesa. De novo.

__ Como assim de novo?

__ È a segunda rosa que eu recebo pai.

__ Que bom.- disse ele tentando esconder o letreiro luminoso que piscava em sua testa. “FINALMENTE”. Eu ri sem humor nenhum.

__ Tem peixe para o jantar.

__ hum que ótimo pai. Estava mesmo afim de comer peixe.

Papai me sorriu.

Fui para o meu quarto e entrei no banho. Lavei os cabelos e fiquei um bom tempo apenas sentindo a água no meu corpo. Fechei meus olhos e apenas aproveitei a sensação. Passei a mão pelo cabelo e percebi que eu precisava pelo menos cortar as pontas. Toda vez que eu ia ao salão, Junior sempre me dizia para dar um corte mais moderno. Mas eu não tinha muita motivação. Para mim estava bom do jeito que estava.

Me sentei na poltrona do quarto e peguei um livro para dar uma olhada. Trabalhar numa editora tinha certas vantagens. Eu tinha pilhas de livros. Alguns que passaram por minha mão e outros que não. Uns que eu gostava realmente de ler e outros que eu simplesmente aceitei por ser presente. Nesse momento eu estava lendo uma historia de suspense. Os mocinhos tentavam descobrir o assassino que estava fazendo a festa na faculdade. Aposto minhas fichas no Robert. Ele é muito santinho e perfeito, tem que ter alguma coisa de errado. Bom, final do livro eu descubro.

Papai avisou que o jantar estava na mesa. Desci para comer. Eu ainda acredito que essa casa é meio grande demais para papai, mamãe e eu. Afinal eram;4 quartos, sala de jantar, sala de estar, biblioteca, garagem para 4 carros, jardim, fora o banheiro das 2 suítes havia um social. A cozinha era bem grande, despensa e área de serviço. Fora a varanda enorme que havia na frente e nos fundos da casa. Acho que eles queriam ter mais filhos. Eu deveria ter um irmão. Mas ele morreu quando recém nascido. Há na casa um quarto com tudo que foi comprado para ele. Roupas, berço, brinquedos, tudo. Do jeito que eles deixaram ficou. Mamãe sempre passava por lá só para limpar. Ele usou o quartinho por apenas 2 meses. Ela não se livrou de nada que havia lá dentro. Enquanto eu refreava qualquer coisa que me lembrasse de Kevin e de nossa vida juntos. Minha mãe se agarrava a uma pluma de travesseiro se isso lembrasse de meu irmão. Queria ser igual a ela, mas eu não era. Isso era coisa de gente forte. Eu iria cutucar o que já é ruim para que?

Conversamos pouco durante o jantar. E depois lavamos os pratos e as poucas louças que tinham. Papai não era lá muito fã de empregadas em casa. O máximo que tinha era alguém que ficava na casa durante o dia. Lavava as roupas e limpava a casa. Mas a comida papai fazia. Ele sempre gostou de cozinhar e honestamente acho que isso ainda lhe dava alguma distração. Agora enquanto ele não estava no curso de gastronomia, ensinando a futuros grandes chefes de cozinha ele estava em casa mesmo cozinhando. Minha mãe tinha ido visitar uma irmã. Voltaria mais tarde. Eu sabia que ele falaria para ela sobre a rosa. Depois do jantar acabei jogando um pouco de xadrez com ele. Era divertido. Percebia que as vezes ele olhava para o canto esquerdo da sala. Eu sabia o que ele queria. Mas isso eu não faria mais.

O jogo continuou até as 22 horas. Ele me venceu varias vezes e me deixou ganhar duas. Eu sei que ele me deixou ganhar porque ele não perderia tão fácil. Não por descuido. Era mais como um incentivo para eu continuar. Por duas vezes eu o venci por mérito próprio. Ele trouxe duas xícaras de cappuccino e apenas ficamos ali com conversas bobas. Até que mamãe chegou. Tia Lina estava com saudades e perguntou quando eu apareceria. Ela disse que seria em breve. Ainda bem que a promessa foi dela e não minha. Continuei sentada na sala até que finalmente o sono me venceu. Subi para o meu quarto e me joguei na cama. Com sorte a inconsciência me tomaria rápido e foi o que fez.

Sai cedo para emprego no outro dia. Entrei na minha sala e não vi nada em lugar nenhum. Ai eu parei para pensar em uma coisa. Minha sala ficava fechada. Quem quer que fosse tinha acesso a ela. Ta certo que na hora do almoço eu não tranco. E ta certo que mais algumas pessoas entravam ali quando precisavam de alguma coisa.

Me sentei e comecei a remexer nas minhas coisas. Papeis, formulários,estava dispostos em uma pilha bem organizada sobre a mesa. Do mesmo modo que eu havia deixado na noite anterior. Sinal de que não havia passado ninguém por ali. Isso era um bom sinal.

Não percebi quando ele entrou. Tinha uma ruga na testa. Cara de quem não estava lá muito bem.

__ Bom dia.- ele dise.

__ Bom dia. Esta tudo bem?

__ Não.

__ Que houve?

__ Dormi mal. O vizinho miserável não se tocou que já eram 3 e 40 da manha Por isso continuou ouvindo Guns N’Rose até que alguém provavelmente menos paciente que eu chamou a policia. E eu juro que se eu ouvir mais uma vez hoje:

“ Ohh! Ohh! Sweet Child O’mine. Ohh! Ohh! Sweet Love OF Mine.

Eu vou acabar batendo no infeliz.

Eu ri da sua imitação.

__ Vai rindo mesmo. Não foi na sua cabeça que ficaram cantando.

__ Uau. Eu acreditava que você nunca ficasse de mal humor.

__ Não. Daqui a pouco passa. Aquele bairro só tem gente maluca. Vou acabar me mudando de lá.

__ Nossa que desespero.

__ Sério. AH eu estou de sacanagem. Eu gosto de lá. Tem um parque. È bom para correr e levar o Josh para passear.

__ Quem é Josh?

__ Meu cachorro. È um labrador. Precisa se exercitar com freqüência. E você que animal tem?

__ Nenhum.

__ Nem mesmo um gato?

__ Não.

__ Periquito? Peixe? Papagaio? Ramister?

__ Não. Nada.

__ Nossa você é má. Não gosta de animais.

__ Eu gosto de animais, só não tenho muito jeito com eles.

__ Como assim?

__ cara, se  cão tem segunda vida. Ou vida após a morte. No céu tem um canil me esperando. Eu tive 10 cães.

__ Assassina.

O encarei.

__ Assassina de cachorros.

__ Fala sério. Eu não sei o que houve. Eu sempre levava no veterinário direitinho. Dava comida na hora certa e os coitados morriam.

__ Isso é falta de sorte. OU você não tem talento mesmo para cuidar de animais.

Tem flores ou plantas?

__ Um cacto conta?

__ Não.

__ Então não.

__ Você é doida. Como é sua casa? Uma casa mal assombrada. A clássica janela caindo do lado esquerdo?

__ Não. Minha casa é branca. Flores no jardim. Uma arvore bonita e crianças na varanda.

__ Uau. Como você consegue isso sendo tão propensa a matar qualquer forma de vida?

__ Eu moro com meus pais. Papai tem talento para cuidar de plantas e ele cozinha muito bem. Agora da aulas em um curso de gastronomia. Esta pensando em montar um restaurante. Por isso sempre tem crianças na varanda. Ele vive fazendo doces e outras coisas ai a casa se enche com os pirralhos dos vizinhos.

__ Filha única?

__ Sim. E você?

__ 4 irmãos. São 2 homens e 1 garota. Agora tem o Pierre. Ele tem cinco anos. Meus pais o adotaram aos três. Ele é um amor. E o dengo da casa. Não sei quem faz mais as vontades do garoto. Anny, Nicolas, Max ou eu. Fim de semana eu vou para casa vê-lo.

__ Deve ser legal ter família grande.

__ e sim. È bem legal.

__ Você não parece ser muito do tipo família.

__ Se engana. Gosto demais de ficar na casa dos meus pais. Adoro quando a casa fica cheia.

Eu apenas sorri.

__ Sem rosas hoje?

__ Sem rosas hoje, ainda.

__ Tem idéia de quem esta deixando aqui?

__ Não mais uma hora eu vou descobrir. Quem quer que seja vai ter que aparecer aqui para deixar.

__ Sim. E você vai ficar vigiando o coitado não é?

Ele se aproximou de mim como quem quer contar um segredo.

__ Exatamente! Gostou do restaurante ontem?

__ Gostei. É um lugar bem legal.

__ Vai com a gente hoje de novo?

__ Estou convidado?

__ Sim. É só não resolver pagar a conta outra vez.

__ Okai. Quando você for me chama.

__ Esta bem.

__E ai posso ficar aqui hoje de novo?

__Pode.

__ Tudo bem. Vou pegar minhas coisas.

Em menos de 5 minutos ele já estava de volta a minha sala.

__ Olha eu estava pensando em quem pode ter te mandado flores.

__ E?

__ Bom. Por eu ser novo aqui acabo pescando certas coisas. Insinuações e boatos. Então eu posso saber quem é.

__ Fala então, Sherlock Holmes.

Ele riu. Aproximou-se de mim e sussurrou baixo em meu ouvido. Como se estivesse prestes a fazer a revelação do século.

__ Aposto minhas fichas na ruiva da recepção. Ela te olha de um jeito esquisito.

O livro que estava na minha mão acabou servindo de arma. Arremessei nele com toda a força. E ele apenas riu. Riu muito.

__ Você é meio maluco sabia. Tem precisa urgentemente de ajuda profissional.

__ Foi só para ver você sorrir mesmo.

Ele se sentou. Eu recolhi um pouco as minhas coisas para que ele tivesse espaço.

Nessa hora Kátia passou:

__ Algum problema com sua sala, Tony? – perguntou ela.

__ Não. Nenhum problema.

__ Ah sim. Porque é a segunda vez que te vejo na sala da Liah. Ela deve estar te marcando mesmo. - disse debochada.

Eu ia falar quando ele entrou no meio.

__ Não. Eu que gosto de ficar aqui. Acabei de pedir a ela para me deixar ficar hoje também. Acho até que já ela já esta  ficando enjoada de mim.

__ Não. Fica a vontade. – eu disse.

__ Mas se você quiser- continuou ela.- Pode ficar na minha sala também.

__ Obrigado.

Ela sorriu e voltou para o corredor.

__ Esta vendo Tony, você já tem um convite para o caso de me irritar o bastante para eu te expulsar daqui.

__ O que não deve ser muito difícil considerando que você é cabeça dura, e pavio curto.

__ E você é irritante e chato.

__ Fazemos uma boa dupla.

Ri do sarcasmo dele.

__ Mas ela não faz meu tipo. Não curto mulheres atiradas.

___ Por quê?

___ È bom conquistar a pessoa. Tudo que é fácil de mais perde a graça.

__ Okai.

__ Bom, vamos ao trabalho.

Nos concentramos cada um em seu canto. Desempenhando nossas funções. Antony era uma companhia legal, quando estava quieto. Tina estava trabalhando em uma tradução. Era cômico tentar encontrar em português significado para certas palavras. Mas tudo bem. Eu ainda estava revisando algumas coisas. E ele mais uma vez fazendo arte.

__ Sem musica dessa vez?

__ Hoje não. Esqueci de carregar.

Eu ri. Era bem desatento. Raramente quem trabalha com esse tipo de coisa tem muita organização. A psicóloga disse que isso é normal. Eu não confiava muito nisso. Pelo menos minhas coisas eram bem organizadas. Meus formulários ficavam em ordem alfabética. Acho que na verdade eu tenho até TOC- Transtorno Obssessivo Compulsivo. Porque eu não consigo deixar minhas coisas espalhadas. Tenho que ter sempre em mãos o que eu quero.

Eram mais de 10 horas da manhã. Quando ouvi um som de batida na minha porta. Antony se levantou e foi atender. Era Luis.

__ Liah, tem um garoto aqui te procurando. Acho que é o filho da dona do café ali de baixo.

__ O que ele quer comigo?

__ Tem algo para você.

Eu não entendi muito bem. Entendi menos ainda o motivo da cara de espanto que Luis estava.

Entrou em meu campo de visão um garotinho muito fofo. Sorrindo para mim.

Sorri de volta e olhei para sua mão. Uma rosa.

__ Me pediram para te entregar;- ele disse me estendendo.

Eu peguei a flor e olhei para o garoto.

__ Quem mandou?

__ Não posso dizer.

__ Por favor.

__ Não posso.

__ Eu te dou doces. - apelei.

__ Quem mandou me deu dinheiro. - ele disse sorrindo- e pediu para eu não falar que se eu não falar depois ele me da mais alguma coisa.

__ Aff.

O garotinho saiu de dentro da minha sala cantando.

__ Tentando subornar uma criança. - disse Antony fingindo pavor.

__ Cada um luta com as armas que tem. Devo admitir que quem esta fazendo isso é esperto.

__ È, ele ou ela. - disse ele sem perder a chance de implicar- Não foi idiota. Sabia que você vigiaria e se antecipou.

Peguei a rosa nas mãos. Era de um vermelho lindo. Sem uma mancha se quer. Era linda. E exalava um perfume gostoso. E eu mais um vez não tinha um jarro.

__ Não trouxe um jarro.- eu disse.

Ele apenas me estendeu a mão com um copo alto com água.

__ Obrigada.

__ Disponha. Cara pão duro hein?

__ Por quê?

__ Uma flor só.

Ri.

__ Você faria o que?

__ Sei lá. Acho que eu já teria falado com a garota.

__ Você se acha o cara.

__ Não. Mas eu sei que quando a gente quer. Precisa lutar para conseguir.

__ E ai tem alguém que seja o foco de toda essa atenção.

__ Não.

__ Não?

__ Ainda não.

Olhei para ele novamente e ele tinha um sorriso no rosto. Um sorriso bonito que mesmo naquela idade ainda aparentava inocência. Ele tinha uma fé em si mesmo, era difícil de se descrever.

__ Me enganaram sobre você.

__ Como assim?

__ Me disseram que você era difícil de adaptar a alguém. Que quase não sorria.

__ Geralmente é verdade.

__ Engraçado. Eu já vi você sorrir 18 vezes. E rir mesmo 6.

___ Você contou?

__ Sim.

Eu não sabia o que dizer:

__ Você faz coisas engraçadas. Me faz rir mesmo sem querer entende?

__ Viu o pirralho engraçado serve de alguma coisa.

__ Serve sim.

Ele mais uma vez sorriu para mim.

Quando Tina, Tony e eu entramos no restaurante. Kátia nos olhou e levantou a sobrancelha. O impulso de dar língua foi quase irresistível. Senti uma vontade enorme de fazer isso.

Tina estava desesperada com as traduções. Encontrar nomes que ficassem descentes em português para coisas em outro idioma as vezes era cansativo. Nomes de animais de estimação eram o pior. Quando não eram básicos tipo Toby, Jonh. Ou coisas do gênero. Era terrível. As vezes em inglês soa bem mas na hora de passar para português sai um treco surreal.

Antony riu muito das historias que ela contou. Eu acabei rindo também, me perguntando se ele contabilizava. Quando terminamos o almoço antes que eu percebesse ele pagou de novo. A parte dele e a nossa.

__ Ei você não pode fazer isso.- eu disse.

__ Tony ontem você disse que foi por fazer parte da equipe.- disse Tina indignada também.

__ Meninas calma. È só um almoço.

__ Isso não pode se repetir. – Tina disse.

__ Eu não faço de novo, eu juro. - disse ele fazendo cara de arrependido.

__ Você disse isso ontem também. - eu esbravejei.

__ Ok. Então. Me processe.

Não sabia como ele conseguia fazer isso. Me tirar do serio com tanta facilidade assim. Saindo do restaurante ele ainda comprou uma trufa para mim e para Tina. Avelã novamente. Ele realmente havia prestado atenção. Ele tinha uma mania que me irritava. Ficar se oferecendo para pagar coisas que eu consumia. Eu trabalho para isso mesmo. Para poder assumir meus gastos. Está certo que foi um gesto de cortesia. Uma vez tudo bem. Mas isso já estava se repetindo demais. E eu não gostava nenhum pouco disso.

__ Olha eu estou falando sério com você. - eu disse naquela tarde em minha sala.- se você fizer isso novamente eu vou acabar parando de almoçar com você.

__ Esta bem. Eu não vejo nada demais nisso, mas se você vê, tudo bem. Eu vou parar.

__ Obrigada Tony.

__ Liah você tem namorado?

Perguntou ele, e eu me perguntei se ele poderia ter visto o tremor e o choque em meu corpo.

__ Não. Eu não tenho.

__ Estranho.

__Porque?

__ Por nada, é só que você é inteligente, dedicada e muito bonita. Então não teria motivos para ficar sozinha.

__ Talvez.

Ele continuou me olhando percebi que ele analisava meu rosto. Queria saber o que ele procurava. Mas não consegui. Decidi desviar o assunto.

__ E você qual o motivo da solidão?

__ Simplesmente não vi ainda ninguém que me interessasse realmente.

__ Como assim?

__ Olha, mulheres atraentes tem aos montes. Mas eu não gosto de sair ficando simplesmente. Então estou sozinho por que ainda não conheci alguém que fosse capaz de me fazer querer estar com a pessoa.

__Ok. Mas você não fica sozinho nesse meio tempo não é?

__ Exatamente.

__ Safado.

__ Sou nada.

Homens são todos iguais, eu pensei.

Nesse exato momento, e falando no diabo, Calvin aparece na porta da minha sala.

Olhou de canto de olho Antony sentado junto a minha mesa.

__ Recebendo flores? Quem será o cara?

__ Não sei.

__ Não gosto muito de competição. – disse ele e eu tive que segurar para não rir. Vi Antony revirar os olhos.

__ Competição quanto ao que?

__ Você é claro.

__ E quem esta competindo?

__ Eu e o cara das flores.

“o cara das flores” Pensei de novo.

__ Olha é tempo perdido então, boa sorte para os dois.

__ Você não pode ser tão durona. - disse ele se aproximando de mim. Antony ergueu as sobrancelhas.

Coloquei a mão no peito de Calvin e percebi que ele entendeu o gesto como uma permissão. Fiz força contra ele e disse:

__ Olha, a não ser que você queira continuar essa competição faltando alguns dentes. Te sugiro não ficar tão perto assim de mim.

Ele riu. E depois lançou um olhar para Tony.

__ Coitado do cara das flores. - disse Tony rindo.

__ Essa é o que me faltava.

__ Ele estava me olhando feio.

Pior que estava mesmo.

__ Ele me acha uma ameaça.

__ Acho que não. Sei lá é porque você é novo.

__ E estou mais perto de você do que ele ficou em anos.

__ Pode ser.

__ E ai, sou uma ameaça para ele?

__ Ele nunca foi algo considerável para mim.

__ E eu sou?

Seus olhos azuis me encararam e eu não conseguia entender se ele estava zombando ou não.

__ Ah Tony, deixa de bobagem.

__ Eu estou falando sério.

__ Tudo bem. Então lá vai: Tony eu sou completamente louca por você.

Disse sorrindo.

__ Seu sarcasmo é impressionante.

Estávamos de pé perto da mesa. Não percebi o quanto estávamos próximos. Ele parou me olhando de novo.

Antes que eu pudesse pelo menos me preparar. Ele tirou meus óculos. Senti seus dedos quentes roçarem minha pele. Me os fitou por um longo tempo.

__ Não tinha percebido quanto seus olhos são lindos. - Ele disse.

Eu fiquei vermelha, senti minhas bochechas quentes e o olhei sem saber o que dizer.

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