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Tentativas Parte III

As coisas estavam ficando no mínimo estranhas. O mundo devia estar de ponta a cabeça. Será que o apocalipse realmente estava acontecendo? Espero que não. Ou espero que sim. Tanto faz para mim. Vou agora citar para ver se não esqueço os motivos para eu estar acreditando que o fim do mundo esta chegando:


1- Tenho recebido religiosamente nos últimos 10 dias uma rosa.

2- Antony e eu estávamos realmente ficando amigos.

3- De vez em quando ele dizia alguma coisa que sinceramente me deixava vermelha.

4- Tina não saiu fim de semana.

Bom, se esses não eram motivos reais para eu acreditar no apocalipse. Eu não sabia o que seria.

Naquela manha de quarta feira ele ainda não havia chegado. Pegou uma folga e só voltaria a tarde. Me disse que tinha alguns assuntos para resolver. Eu não procurei fundamento. Logo o liberei. Eu não tinha vida própria, mas isso não quer dizer que todos ao meu redor tem que seguir o mesmo triste destino. Eu já havia comprado um jarrinho, para as flores. Na verdade tomei essa iniciativa depois que Tony me olhou de cara feia na segunda e disse que se eu não comprasse ele me dava um. Então alegremente fui ao armarinho e comprei um que se assemelhava a um copo porem tinha o meio mais largo que a borda. E tinha alguns detalhes gravados de dourado no vidro. Tony disse que estava lindo. Percebi que eu já o chamava de Tony e não de Antony. Ele ainda me dava uma trufa todo dia religiosamente.

E para fazer tanto ele quanto eu rirmos demais. Calvin ainda estava olhando feio para ele. E Kátia para mim. Isso na verdade era cômico. Parei para pensar que eu sorria bastante com ele.

Acho que aos poucos eu iria voltar a ter amigos. Mas não poderia pedir mais que isso mim. Tive reunião pela manha e com isso o tempo passou voando. Antes que me desse conta já era hora do almoço. E em menos tempo ainda o almoço já tinha acabado e eu estava de volta a minha sala. Ele já estava sentado , acomodado em uma cadeira na ponta de minha mesa. Rabiscava sem parar uma folha. Iria começar a ilustração de uma historia infantil. Quando me viu sorriu radiante. Não resisti e sorri de volta.

__ Você esta feliz. Qual o motivo?- perguntei.

__Calvin me olhou feio na entrada. Ai como isso é divertido.

__ Pimenta nos outros é refresco não é?

__ Melhor neles do que em mim. – disse ele alegremente.

__ Tenho que concordar.

__ Você vai à festa esse fim de semana?

__ Não.

__ E porque não?

__ Raramente vou à festas.

__ Então o que vamos fazer?

__ Você eu não sei.

__ Bom, vamos fazer alguma coisa. Sair, ir a um bar, cinema qualquer coisa.

__ Bom eu vou ficar em casa e assistir maratona Sobrenatural.

__ Você gosta disso?

__ Adoro.

__ Estranho. Garotas da sua idade geralmente curtem festas. Acho que você não é muito normal.

__ Não. Eu não sou mesmo.

__ Você é uma vampira?

Explodi em risos.

__ Lobisomem? Extraterrestre? Fada dos Dentes?

__ Você sabe que lobisomem geralmente é um homem não sabe?

__ Sei lá. Não curto muito essas coisas.

__ Tem medo?

__ Não. Acho bobagem. Me divirto mais com um bom desenho animado.

__ Ah é claro. Porque um cachorro que é atingido por um caminhão e depois continua andando perfeitamente normal e inteiro é o cumulo da realidade.

__ Eu disse que é mais legal e não mais real.

__ Tudo bem.

__ Hoje você esta bem chata hein?

__ Estou? Nem percebi.

__ Toma, para ver se adoça um pouco sua vida.

Ele me estendeu uma caixa branca com uma fita lilás, estava cheia de bombons.

__ Não me olha assim . - ele disse.

__ Dei uma a Tina também. Eu costumo ser um bom amigo sabe?

__ Obrigada.

Eu adorava chocolates.

__ Você não parece muito do tipo viciada em chocolates.

__ Por que?

__ É magra.

__ Muito magra?

__ Não. Tem o corpo bonito.

Ele me disse erguendo a sobrancelha fazendo cara de quem sabe que eu iria reclamar.

__ Você é muito safado.

__ Eu sei. Mas sabe o que dizem. As mulheres sempre preferem um cara um pouquinho malvado.

__ Gostam é?

__ Gostam. E você gosta de que tipo de cara?

O encarei.

__ Inteligentes, divertidos e fieis.

__ Suas preces foram atendidas.

Eu ri novamente, Tony tem um senso de humor incrível. Não conseguia parar de rir um minuto que fosse com ele.

__ È só que Deus foi tão bonzinho que acrescentou: convencido e galinha.

__ Nem tudo é perfeito.

__ Deixa eu ver.- pedi apontando para a folha.

Ele a entregou para mim. Eu olhei o desenho. O personagem principal tinha um olhar tão meigo. Um ar de criança inocente. Sabia que seria ideal.

__ Ficou bom.- eu disse.

Ele fez um movimento brusco. Sabia que ia rançar a folha então gritei.

__ Não.

Ele parou e me olhou.

__ Ficou ótimo. Muito bom. Maravilhoso. Perfeito.

__ Não precisa ser cínica.

__ Estou sendo sincera.

Ele sorriu para mim de novo e eu não pude deixar de observar como seus olhos brilhavam quando ele sorria.

Esta certo ele era irremediavelmente convencido. E tinha a mania de querer bancar o carinha legal. Isso as vezes me irritava. Mas eu não poderia jamais negar que Antony era um cara prestativo. Perdi as contas das vezes em que ele me ajudou com alguma coisa durante esses dias. Assim como a outras pessoas da editora. Antony tinha essa capacidade de entender as pessoas de um jeito que sinceramente era difícil de se explicar ou definir. E as vezes me enchia de perguntas irritantes:

__ Porque você nunca solta o cabelo?

__ Porque você nunca usa maquiagem?

__ Porque você é tão fechada?

__ Porque você não namora?

Em muitos momentos eu me sentia em um interrogatório. Em outros momentos ele me deixava tranqüila e em paz.

__ O que você esta ouvindo?- perguntei depois de algum tempo.

__ Ah Estou ouvindo Nickelback

__ Você gosta desse tipo de musica?

__ Sim.

Ele me passou um fone. Gostei do ritmo da musica. Era legal. A letra me pareceu romântica demais. Mas tudo bem. Continuei ouvindo. Entrou em outra. Aquilo realmente era triste. “o tempo esta passando depressa e estou me arrependendo de não passá-lo com você.”

__ Nossa, essa é perfeita para fossa.

__ Se é.

__ Um bombom e uma navalha fazem o par não é?

__ Cara você é muito pessimista.

__ Por quê? Porque eu não sou uma boba romântica?

__ Ser romântico não é ser bobo?

__ Ah não? Achei que você fosse do tipo malvado.

__ Sou um pouco dos dois. Depende da mulher.

__ Como assim?

__ Do tipo de cara que ela precisa.

__ Nossa sua lógica é imbatível.

__ Você por exemplo. Precisa de um cara carinhoso. Você parece ser do tipo que curte ficar apenas perto da pessoa amada sem se preocupar com muita coisa.

__ E sou mesmo.

__ Viu. Você já fica até feliz com as rosas que recebe.

__ Você é impossível.

__Sou?

__ È sim. Pelo visto você gostou da musica.

__ È bonita.

__ Acho que essa é um pouco mais legal.

Ele passou para uma outra que realmente tinha o ritmo melhor.

E um refrão desesperado.”Diga para mim e Diga por mim, E eu deixarei essa vida para traz. Diga que você vai me salvar.”

__ Que desespero.

__ Você é o contrario de qualquer mulher que eu conheço.

__ Isso é bom ou ruim?

__ Bom. Te faz diferente das outras, tudo sempre igual enjoa.

__ Tem hora que você diz cada coisa.

Ele se limitou a sorrir.

__ Quando você não esta vendo filmes o que faz?

__ Sou apaixonada por estrelas.

__ Sério?

__ Sim, sério. Eu adoro observar constelações e planetas.

__ Eu só sei ver o cruzeiro do sul.

__ Acredito que todo mundo sabe essa.

__ Ah está bem desculpa por ser menos inteligente que você.

__ Você é muito dramático.

__ Sério eu nunca parei muito olhando para cima.

__ Quase ninguém fica olhando muito para cima.

__ Sei, isso é coisa de almas evoluídas não é?

__ Não. Eu não disse isso.

__ Esta subestimando minha inteligência.

__Antony, você é inteligente, divertido, legal e um bom amigo. Nem todo mundo gosta das mesmas coisas e você não é obrigado a saber o mapa estrelar só porque eu gosto de estrelas.

__ Você cai muito na pilha.

__ Você é um mala.

__ Você me adora.

Meu Deus, como poderia caber tanto convencimento em uma pessoa só?!

__ Sério o que vamos fazer fim de semana?

__ Eu não vou sair.

__ Jura?

__ Juro.

__ Ou vai sair com o cara das flores?

__ Eu não vou sair com ninguém. Tenho um encontro marcado com Sam e Dean Winchester.

__ Não vou entrar em detalhes com isso. Bom eu acho que eu vou a essa festa que o pessoal esta organizando. Eu preciso me distrair um pouco. Talvez o cara das flores esteja lá.

__ Gente, como vocês já arrumaram apelido? O cara das flores. Isso parece nome de Serial Killer.

__ E pode ser. Já vi tantos crimes cometidos por pessoas que amavam.

__ Então não amavam. Quando feri alguém que se ama. Não é amor é doença e precisa de tratamento.

__ Amor e doença são separados por linhas finas.

__ Você esta me assustando.

O chefe entrou na sala. Parece que depois de 10 dias ele percebeu que Tony estava na minha sala. Dividindo a mesa comigo. E parece que assim como os outros. Chegou a conclusão que eu estava fazendo alguma coisa. Parecia que a visão que eles tinham de mim era a de um pittibul raivoso. Será que eu era mesmo tão mal humorada assim? Duvidava disso. Se bem que nossa opinião sobre nós mesmos nem sempre é justa.

__ Algum problema?- perguntou ele.

__ Nenhum.- respondemos Tony e eu ao mesmo tempo.

__ Bom, estranhei Tony estar na sua sala, algo de errado com a sua?

__ Não. Eu gosto de ficar aqui com a Liah e ela não se incomoda de eu ficar. Entao não vejo motivos para sair. Ela é uma boa companhia.

__ Tudo bem. Mas você não acha que fica com pouco espaço. Quer dizer a sala é ampla mas para duas pessoas.

__ Eu não vejo problema algum em ficar aqui. Gosto daqui.

__ Tudo bem, Fico feliz que os dois estejam se entendendo. Vocês são um bom time. E eu quero que continuem assim. –

Ele se virou para me olhar e eu percebi que vinha algo de errado.

__ Continua recebendo flores?

__ Continuo.

__ È o mistério da vez. Todo mundo esta apostando em quem esta mandando as flores para você.

Tony riu.

__ Acredito que uma hora ou outra vamos descobrir.

__ Eu aposto em Calvin.

Eu apenas ri e pensei “Ah se não fosse o chefe.”

Quando ele saiu Tony me olhou e disse:

__ Apostei 50 na ruiva.

Não me dei o trabalho de responder.

Passamos o restante da tarde assim. Entre trabalhos e irritações. Levando a sério uns momentos e brincando em outros. Com ele por perto tive um vislumbre do que deve ser ter um irmão mais novo. Irritante, insistente e chato. Porém não tem nada melhor para espantar o mal humor e o tédio. Pelo menos era melhor do que ficar o tempo todo sozinha encarando a parede pastel.

Na quinta feira quando cheguei na sala ele já estava. E tive a noticia maravilhosa de que iríamos participar de uma feira do livro. Para minha total alegria seria em outra cidade e para melhorar iríamos: Tony , Kátia,Calvin e eu. Tony olhou para Calvin com um sorriso tão grande e tão radiante. Kátia me olhou de um jeito tão estranho. Parecia até brincadeira colocar os 4 para o mesmo evento. Acho que eu vou ter que dormir com o olho aberto. A julgar pela cara da Kátia. Isso realmente seria necessário.

Ao voltar para minha sala, lá estava ela. Vermelha e linda sobre a mesa. Uma única rosa como todos os dias anteriores. Senti o seu perfume suave. Troquei a água do jarro e a coloquei dentro. Deixando na lateral da mesa de modo a não atrapalhar Tony ou eu.

Ele já tinha boa parte da ilustração do livro infantil. E estava gostando do que fazia. Realmente tinha ficado ótimo. Ele conseguia captar a essência da historia e passar isso para o papel. Isso era raro. Não que não houvessem bons ilustradores no mercado. Mas tem diferença entre ilustrar um livro e transcrever sua alma. Tony sabia fazer isso. Isso era uma boa qualidade para alguém. Eu já tinha que começar a separar os títulos que seriam divulgados na feira. E tentar apressar alguns escritores. Queria tentar pelo menos fazer uma pré estréia de um livro que para mim é muito bom. Talvez oferecer uns 2 capitulos impressos para que os leitores tivessem uma prévia da história e ficassem sedentos por mais. Tony me chamou de perversa. Mas propaganda é a alma do negócio.

Fiquei tão submersa no planejamento de folders, conversando com autores e fazendo o projeto da feira que nem vi a sexta passar. Antes que eu me desse conta eu já estava em casa na sexta a noite. Tony pareceu não acreditar que eu não iria na festa. Porque fez questão de me perguntar novamente se eu ia ou não. E a resposta para variar foi: Não. Em casa sabia melhor do que ninguém que mente vazia oficina do diabo, então logo tratei de procurar alguma coisa para fazer. Como não havia nada de muito interessante ou necessário já que meu quarto fica em perfeito estado. Resolvi dar um jeito no guarda roupas. Tinham roupas ali que mereciam ir para o lixo. Mas as que estavam em perfeito estado separei para doação. Minha noite de sexta foi assim. Organizei minhas roupas por cor. E cheguei a conclusão que eu precisava de mais calças. Olhei para o lado e no fundo do closet haviam varias capas penduradas. Fechei a divisória. Eram roupas de outro tempo, lembranças de outra época. Quando terminei fui para o computador um pouco. Parece que nem em casa me desligo do trabalho. Passeei um pouco entre os novos lançamentos e tendências do mercado literário. Por fim o sono me venceu e eu dormi. E a rotina repetiu.

Não eram pesadelos. Eram lembranças reprimidas. Não eram ruins, eram dolorosos. Por que depois a sombra se erguia sobre mim e me sufocava. Tirava minha vida e minha luz. Acabava comigo. Se eu ao menos fosse forte o bastante para olhar para traz e ver que foi uma época maravilhosa e aceitar como um presente as lembranças. Tudo seria muito mais fácil. O problema é que eu não conseguia fazer isso. As lembranças me causavam mais dano do que alento. Mas dor do que alivio. Mais tristeza que alegria. E eu não era forte o suficiente para isso.

Quando acordei a manha de sábado já estava clara. Ouvi meu pai cantando do lado de fora. E mesmo entre as cortinas pesadas, pude ver o que o sol estava lindo. Pulei da cama e tomei um banho. Desci e peguei um iogurte. Ouvi risadas de crianças do lado de fora. E o cheiro de bolo de laranja vindo da cozinha. Papai devia estar se divertindo com os filhos dos vizinhos.

Fui para o quintal e vi que estava certa. As crianças brincavam perto das arvores enquanto meu pai cuidava das hortencias. Quando me viram fui recebida com um coro de “ Tia”. Era engraçado já que eu não tinha sobrinhos. Às vezes eles procuravam livros comigo e ficavam pela casa lendo. Tinha bastante historias infantis em casa. Me juntei a brincadeira. Ajudei meu pai a tirar os galhos e folhas secos do jardim e a cuidar das plantas. No fim da tarefa parecíamos refugiados do vietnan. Minha roupa cheia de terra. Cabelos com galhos e folhas. As crianças descobriram um ninho na arvore. Ficaram um bom tempo observando e deram ao pobre pássaro o nome de Ema. Depois de lavarmos as mãos a varanda fico cheia de crianças espalhadas no chão enquanto comiam o lanche que meu pai fez. Foi uma manha divertida. Bem divertida alias.

A tarde fiquei na varanda conversando com papai e depois fomos para uma partida de xadrez. Ganhei e perdi. Papai hoje não esta para brincadeira. Não facilitou para mim nenhuma vez que fosse. As 16 fui ao salão. Junior implorou por um corte melhor. Cortei as pontas do cabelo e fiz uma hidratação para que ele não tivesse um infarto. Voltei para casa. Tomei um longo banho e troquei de roupa. Comi um sanduíche e fui para a sala de TV. Em pouco tempo começaria maratona sobrenatural. O nome era porque iriam passar no mínimo uma temporada completa da série. E para mim isso era diversão na certa.

As 21.15 meu celular tocou. Não reconheci o numero.

__ Voce já esta na festa?- ouvi a voz dele.

__ Não. Eu disse que eu não iria.

__ Pensei que era brincadeira.

__Porque?

__ Mulher gosta de fazer dengo.

__ Pensou que eu gostaria de ver você implorando para eu ir?

__ Exatamente.

__ Engano seu. Tenho boa auto estima. Não preciso dessas coisas.

__ Sério. Se arruma e vem para a festa.

__ Eu não vou.

__ Não seja má e estraga prazeres. Eu estou com medo. È sério.

Eu ri.

__ Medo de que?

__ Katia.

Ri mais ainda.

__ Cai em cima. Mesmo que seja por uma noite.

__ Não. È diversão por uma noite e problemas por um ano.

__Lamento Tony, eu não vou.

__ Malvada.

__ Até mais.

Desliguei o telefone e me concentrei na televisão. Era um episódio legal. Pelo menos era engraçado. Aquilo me distraiu. Sei que ficar na sala sozinha assistindo filmes de terror não é um programa que muitas garotas gostariam para um sábado. Mas para mim estava muito bom. As vezes eu me pegava imaginando como ele estaria. O que Kátia estaria fazendo? E como ele estaria se livrando. Peguei uma lata de coca cola e voltei para o sofá. Papai iria fazer pipoca com bacon para mim. Disse que traria depois.

Ouvi a campanhinha tocar. Pouco depois meu pai apareceu na porta as sobrancelhas erguidas não sabia o que dizer.

__ Tem alguém da editora te procurando.

Trabalho hoje não. Eu pensei.

__ Quem é? Ah deixa pra lá manda subir.

Ele riu e desceu. Diminui um pouco o volume da TV,e me endireitei do sofá. Olhei para ver quem havia dado as três batidinhas na porta e vi. Encostado na porta estava o visitante.

__ Tony? Que você esta fazendo aqui?

__ Posso entrar?

__ Pode. Mas o que?

__ Te falei que eu estava enlouquecendo lá. Eu não queria ficar em casa nem sair sozinho então eu vim pra cá. Ah sim. Você vai perguntar como descobri seu endereço. A resposta é Tina. Ela me passou seu endereço alegremente.

__ E o que você pretende aqui?

__ Companhia. Sei que você esta vendo filmes. Então quero apenas ficar aqui se não for demais.

__ Esta bem.

O olhei apertando os olhos.

__ È assim que você reage à visita de amigos?

__ Só recebo Tina.

Ele fez uma expressão estranha.

__ Nem imagino o porque?- disse sorrindo cinicamente.- Posso?

Acrescentou apontando para o sofá.

__ Claro.

Pensei que ele iria se sentar na poltrona. Mas ele se sentou a meu lado no sofá. Agradeci aos céus por pelo menos não estar de pijamas como eu costumo ficar em casa. Ele estava um pouco diferente do que eu via na editora. Sem a camisa social, os cabelos mais despenteados. E usava um perfume maravilhoso. Ele me encarou.

__ E ai o que esta vendo?

__ Sobrenatural.

__ Vamos sair?

__ Não.

__ Então pelo menos me explica alguma coisa disso ai. Quem é o cabeludo?

__ Sam.

__ O outro?

__ Dean.

__ E esse cara com cara de doido.

__ Lúcifer.

__ O que?

__ E o com cara de Nada é o Cas. Castiel. È um anjo.

__ Você è doida.

__ Sam libertou Lúcifer e agora eles querem dar um jeito na bagunça.

__AH. Nossa que coisa normal, não é?

__ Ah isso é básico.

Ele riu.

Meu pai chegou alguns minutos depois com a pipoca que ele tinha prometido, coca cola e salgadinhos em uma bandeja. Quase dava para ver uma luz acesa por cima da cabeça dele.

__ Papai esse è Antony, trabalha comigo na editora.

__ Antony esse é Cássio. Meu pai.

__ Prazer em conhece-lo .- disse papai.

__ O prazer é meu senhor e por favor, me chame de Tony.

__Ok. Se precisarem de alguma coisa me chamem.

__Pode deixar pai.

__ Te falei que ele é legal.- eu disse.

__ Realmente. Você não saiu muito a ele. Sua mãe deve ser mais fechada.

__ Engano seu. Mas eu vou contar para ela. Milagre ela ainda não ter aparecido.

__ E porque?

__ Curiosidade. Não costumo trazer amigos aqui. Com exceção de Tina.

__ Nossa nem imagino porque?

__ Vai me deixar irritada de uma vez?

__ Não. A irritação fica para a editora.

__ Entao fica quieto.

Ele riu e se virou para frente. Continuamos assistindo ao seriado. No intervalo ele novamente voltou a me perturbar e como era de se esperar minha mãe apareceu. Apresentei ela a Tony e os dois conversaram um pouco. Deu para ver que como todo mundo. Ela foi com a cara dele. Sozinhos de novo, continuei encarando decidida a teve. Talvez tentando ignorar que ele me encarava. Chegou ao ponto que eu não consegui.

__ Será que essa TV de 32 polegadas não te chama atenção?

__ Não gosto de filmes de terror.

__ Medroso.

__ Não sou medroso. Já te disse que eu não vejo graça em filme assim.

__ E ficar olhando para minha cara tem graça?

__ È melhor que olhar para a televisão.

Fiquei sem graça.

__ Quem diria. Ela nem sempre tem resposta para tudo.

__ Você é irritante.

Ele riu.

Tampei a almofada nele . Ele se sacudia de tanto rir. Fui para a outra poltrona e poucos segundos depois senti uma pressão no rosto. Ele havia me jogado a almofada.

__ Afff que infantil.

__ Você quem começou.

__ Voce precisa deixar de ser irritante.

__ E você deixar de ser mal humorada. Tem tanta coisa legal para viver e você nesse mal humor todo.

Aquilo me atingiu.

__ Idiota.

__ Olha só. Comecei a achar isso interessante.- disse ele apontando para a tela.

Voltamos a assistir. Daí para lá ele ficou quieto. Realmente estava interessado no filme. Ria muito de certas cenas. Não percebemos o tempo passar. Eram 23e30. Ele tinha assistido pelo menos 3 episódios inteiros.

__ Até que é legal esse seriado.- disse ele descendo as escadas.

__ Vo ce deveria assistir do inicio seria mais fácil.

__ Vou procurar os DVDs.

__Levo para você na editora segunda. Eu tenho.

__ Esta bem.

Já na sala de visitas ele olhou para a janela do canto esquerdo. Algo que nem eu lembrava que tinha lá.

__ Seu pai é musico.

Fingi que não ouvi e continuei andando.

Ele repetiu a pergunta e papai estava lá para responder.

__ Não o piano é da Liah.

__ Você toca?_ perguntou ele espantado.

__ Não mais.

__ E porque não?

__Perdi o jeito.

Ele olhou para o meu pai e deve ter notado a expressão dele porque não insistiu no assunto.

__ Bom, senhor Cássio, foi um prazer imenso conhecê-lo.

__ Prazer foi meu Tony, sinta-se a vontade para voltar.

__ Obrigado.

Caminhamos em direção a varanda. Estava mais frio lá fora.

__ Foi uma noite agradável.- ele disse.

__ Não foi das piores.

__ Você è incrível. Como pode existir alguém tão chato. Você sofre de mal humor crônico?

__ Quase isso.

Ele riu.

__ Bom, tenha uma boa noite. Te vejo segunda.- ele disse.

__ Te vejo segunda. E boa noite também.

Ele deu dois passos em minha direção. Eu estranhei. Ele colocou a mão em meu pescoço perto da minha orelha. Sorriu se aproximou mais. Pude sentir sua respiração em minha pele e o cheiro suave de seu perfume. Ele pousou os lábios em minha testa por um instante depois se afastou.

Fiquei parada enquanto ele se virou e saiu. Meu coração batendo de um jeito frenético. Olhei a tempo de ver meu pai abaixar a cortina da sala. Estava olhando com certeza. Deveria estar pensando o que isso significava. Espero que ele me conte quando descobrir porque eu também não entendi.

Já estava deitada quando recebi uma mensagem de texto.” Melhor ver filmes de terror com você que ficar na festa com outras pessoas.”

Abracei o travesseiro. Em algum lugar entre a consciência e o sonho me veio o rosto de Antony.

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3 comentários:

Bianca Villarroel disse...

Adoreeei. Vamos ver o que acontece no proximo diaa. (:

Anônimo disse...

Adorei, tanto esse como o outro blog estão ótimos. parabéns.

Tayline Anzolin e Larissa Godefroy disse...

Adoro seu blog. continue a escrever. quero saber o que acontece com esses dois.